Vacinas de adulto

Considerar que as vacinas são assunto de crianças e jovens é uma perspectiva cada vez mais desajustada da realidade. Nem tão pouco podemos reduzir a vacinação dos adultos à vacina antitetânica (com reforços cada 10 anos) e à vacina anual da gripe, sem que com isto estejamos a diminuir a importância do seu cumprimento em termos de Saúde Pública.

O envelhecimento inexorável do ser humano, com a consequente diminuição de defesas do organismo, o acometimento por doenças elas mesmo imunosupressoras ou então tratamentos com medicamentos imunodepressores ou a própria radioterapia, causem diminuição das defesas do organismo e condicionam mais risco de doenças infecciosas. Também a falta de baço ou o transplante de órgãos são situações que expõem a maior risco de infecções e, por isso, proteger por vacinação pode ser uma ajuda importante.

A vacina contra o pneumococo, agente frequente de pneumonias, é um dos exemplos claramente recomendada para os adultos com mais de 65 anos ou que mesmo mais novos tenham doença que condicione maior risco de infecção por esta bactéria, como por exemplo a diabetes e outras doenças crónicas. As pessoas que não tem baço, independentemente da razão (acidente, doença) tem maior risco também desta doença e deverão ser vacinadas contra o pneumococo e também contra a Neisseria meningitidis e o H. influenzae, causadoras de infecções generalizadas e meningites.

É também já possível vacinar contra a zona, uma doença causada pela reactivação do vírus da varicela e que causa frequentemente no adulto, em particular nos mais idosos, uma doença caracterizada pelo aparecimento de vesículas cutâneas e depois crostas e que se pode prolongar por muito tempo com dor local intensa e incapacitante.

Novas possibilidades surgirão num futuro próximo, e há que estar atento e consultar o médico assistente que poderá recomendar qual ou quais vacinas, na sua situação clínica, o poderão proteger.

Vacina (sigla) Doença(s) evitada(s) Tipo de vacina Nº de doses (esquema de vacinação) Idade para a vacinação Efeitos secundários esperados Via de administração
Vacina contra a encefalite japonesa Encefalite japonesa Inactivada 2 doses Adultos (idade = 18 anos) Dores de cabeça, dores musculares, febre, reacções no local da injecção, náuseas, irritação cutânea, cansaço, etc Injectável
Vacina contra a zona (herpes zoster) e nevralgia pós-herpética Zona Vírus vivo atenuado Dose única A partir dos 50 anos de idade Reacções no local da injecção Injectável

Dra. Cândida Abreu
Médica do Serviço de Doenças Infecciosas
Hospital S. João & Faculdade de Medicina do Porto