Efeitos secundários

As vacinas actualmente utilizadas têm um elevado grau de eficácia, segurança e qualidade, sendo exigida uma certificação lote a lote.

Uma reacção adversa ou efeito secundário é qualquer acontecimento não esperado, distinto do objectivo primário da vacina, que ocorre após a sua administração. Pode ser uma verdadeira reacção adversa ou pode ser só uma coincidência.

As reacções adversas dividem-se em 3 grandes grupos, reacções locais, sistémicas e alérgicas:

  • As reacções adversas locais, como dor, edema, eritema e rubor no local da injecção são as mais frequentes mas menos graves. Podem ocorrer em até 50% das doses administradas, dependendo do tipo de vacina. São mais comuns após vacinas inactivadas, sobretudo, as que contêm adjuvantes como a DTPa. Geralmente não são graves, ocorrem algumas horas após a injecção e são, habitualmente auto-limitadas. Em raras ocasiões são particularmente exuberantes e graves, sendo referidas como reacções de hipersensibilidade embora não sejam de facto reacções alérgicas. Este tipo de reacção, também denominada de reacção de Arthus, ocorre mais frequentemente após administração do toxóide tetânico ou diftérico. Pensa-se que é provocada por títulos elevados de anticorpos, por várias administrações com esse toxóide.
  • As reacções sistémicas consistem em febre, mal-estar, fadiga, irritabilidade, alterações do sono, dor muscular, cefaleias (dor de cabeça), tonturas, náuseas e perda de apetite. Estes sintomas são comuns e inespecíficos e muitas vezes não se sabe se são provocados pela vacina ou por uma infecção viral concomitante. São mais frequentes após a administração de vacinas vivas atenuadas uma vez que tem que haver replicação para estimular imunidade. Os sintomas são geralmente ligeiros, simulam uma forma ligeira da doença e ocorrem após um período de incubação, geralmente entre 7 a 21 dias.
  • A reacção anafiláctica é uma reacção alérgica, potencialmente perigosa para a vida do indivíduo devido à possibilidade de rápida evolução para obstrução das vias aéreas, dificuldade respiratória, choque e em casos extremos, paragem cárdio-respiratória. Felizmente são raras, ocorrendo numa frequência inferior a 1 para cada meio milhão de doses administradas. Pode estar relacionada com qualquer componente da vacina. O risco pode ser minimizado, se previamente à administração, for pesquisada a existência de antecedentes pessoais ou familiares de doença alérgica. As reacções anafilácticas surgem, geralmente, pouco tempo após a administração, sendo tanto mais graves quanto mais precoces, pelo que as pessoas vacinadas deverão permanecer sob observação durante 30 minutos. Todos os postos de vacinação devem ter um protocolo de emergência e possuir o equipamento para actuar em caso de reacção anafiláctica.

Não nos devemos nunca esquecer que risco, a morbilidade e a gravidade de qualquer uma das doenças preveníveis por vacina é sempre superior ao risco de ter uma reacção adversa à vacinação.

Dra. Filipa Prata
Unidade de Infecciologia Pediátrica, Hospital de Santa Maria