Varíola

A varíola, popularmente conhecida como “bexigas”, é uma doença causada por um vírus, extremamente contagiosa, com uma mortalidade muito elevada (25 a 50%), sendo também responsável por inúmeros casos de cegueira.

Pensa-se que teve origem há 3000 anos na Índia ou no Egipto, constituindo um dos piores flagelos da humanidade, várias vezes responsável por alterar o curso da História, provocando a morte de vários reis e rainhas (Maria II de Inglaterra, Luís XV de França, Pedro II da Rússia, Ulrika Eleanora da Suécia, p.ex,), dizimando exércitos, destruindo povos (como aconteceu com os Aztecas e os Incas). O terror da varíola era tal que alguns povos só davam um nome definitivo aos filhos após terem tido a doença e sobrevivido, e nalgumas dinastias o herdeiro do trono só era escolhido se já tivesse tido varíola.

O quadro clínico caracteriza-se por febre alta, dores na cabeça, corpo e abdómen durante alguns dias, após o que surge uma erupção cutânea característica, com pápulas que evoluem para vesículas (bolhas) que ulceram e se transformam em pústulas, distribuindo-se por todo o corpo, mas predominando na face e nos membros. Essas pústulas ao secar vão deixar cicatrizes fundas, ficando as vítimas com um rosto desfigurado, a que se costumava chamar “picado das bexigas”. A semelhança aparente com a erupção da varicela, muito mais superficial e benigna, fez com que esta fosse designada por “bexigas loucas”, dada a sua muito menor gravidade.

A vacina da varíola foi a primeira vacina a ser descoberta, em 1789, por Jenner. No final dos anos sessenta do século passado, a OMS lançou uma campanha universal de vacinação e em 1980 declarou a erradicação da varíola da face da terra. Foi o feito mais importante da História da Medicina – a erradicação de uma doença por acção do Homem.

O vírus da varíola está preservado em dois laboratórios militares, nos Estados Unidos e na Rússia.

Nos últimos anos, o receio, até agora infundado e pouco provável, de que a varíola pudesse dar origem a uma guerra biológica, levou ao desenvolvimento de uma nova vacina, que poderá ser utilizada nesse cenário hipotético.

Dra. Paula Valente
Unidade de Infecciologia Pediátrica, Hospital de Santa Maria, Lisboa