Tosse convulsa (pertussis)

A tosse convulsa é uma doença causada por uma bactéria, Bordetella pertussis. As formas graves encontram-se quase exclusivamente na criança pequena não vacinada.

O quadro típico inclui um período inicial em que a criança parece “constipada”, sem febre ou com febre baixa, a que se segue na semana seguinte e por 2 a 6 semanas uma fase com acessos de tosse muito intensa, em que a criança fica muito atrapalhada, com a face congestionada e nos acessos mais graves com cianose (“roxa”). Estes acessos terminam muitas vezes com o vómito de refeição anterior e com um guincho. Fora dos acessos a criança parece bem.

Na fase de convalescença os acessos tornam-se mais ligeiros e menos frequentes, mas a resolução completa pode demorar ainda mais de um mês.

A tosse convulsa pode complicar-se, pelo esforço da tosse, com laceração do freio da língua, hemorragia nasal e subconjuntival, hematoma subdural, prolapso rectal e pneumotórax. Outras complicações incluem períodos de apneia, pneumonia, convulsões e morte.

A gravidade desta doença leva a que sejam internados todos os bebés menores de 6 meses e as crianças de qualquer idade que apresentem complicações graves.

O tratamento consiste em manter a criança num ambiente calmo, medidas de suporte e num antibiótico. Contudo o antibiótico tem mais eficácia em prevenir a propagação da doença aos outros do que em diminuir a gravidade da mesma.

A prevenção é feita pela vacina, que está incluída no Programa Nacional de Vacinação.

Dr. José Gonçalo Marques
Assistente Graduado de Pediatria, Unidade de Infecciologia
Departamento da Criança e da Família, Hospital de Santa Maria, CHLN