Poliomielite

A poliomielite é uma infecção causada por um vírus, existindo 3 serotipos.

Os programas de vacinação conduziram a uma dramática redução da incidência desta doença, tendo a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarado interrupção da sua transmissão em várias áreas do mundo. No entanto, devido ao mau cumprimento dos programas vacinais, por variadas razões, no final de 2009, vírus selvagens tipo 1 e 3 continuavam endémicos na Nigéria, Afeganistão, Índia e Paquistão e por importação, a transmissão foi restabelecida noutros países.

O homem é o único hospedeiro natural. A transmissão é por via fecal-oral. O período de incubação é habitualmente de 7 a 14 dias.

As manifestações clínicas podem ser:

  • Doença assintomática: ocorre em cerca de 90 a 95% dos casos.
  • Poliomielite abortiva ou doença menor: ocorre em 4-8% dos casos, nos quais há uma virémia secundária, apresentando sinais e sintomas não específicos ligeiros tais como febre, dor de garganta, dores musculares, diminuição do apetite, mal-estar, náuseas, vómitos, dor abdominal, obstipação ou diarreia.
  • Poliomielite não-paralítica com meningite asséptica: ocorre em 1 a 2% dos casos. Após os sintomas iniciais de doença menor, ocorre inflamação das meninges com queixa de dores de cabeça, vómitos, dores no pescoço, costas, membros inferiores e rigidez da nuca.
  • Poliomielite paralítica ou doença maior: ocorre em 0,1 a 1% dos casos. Após desaparecimento dos sintomas iniciais de doença menor, há um período livre de poucos dias e ocorre então destruição de neurónios motores, o que resulta em paralisia flácida aguda dos músculos por eles inervados. Pode afectar um ou vários músculos. Na poliomielite espinhal há dor muscular intensa, seguida de fraqueza e paralisia que é habitualmente assimétrica. Os membros inferiores são mais frequentemente atingidos do que os superiores. A paralisia respiratória é devida à poliomielite bulbar, podendo estes doentes apresentar também dificuldade em deglutir e em falar. Os doentes poderão recuperar alguma mobilidade dos músculos atingidos mas cerca de 60% ficará com défices residuais.

O síndrome pós-poliomielite, que se caracteriza por atrofia e dor nos músculos previamente afectados, atinge até 30% das vítimas de poliomielite, muitos anos depois da doença (por vezes mais de 25 a 35 anos).

Não há antivírico específico, sendo o tratamento de suporte: analgesia, repouso, apoio ventilatório, fisioterapia. A prevenção é feita pela vacinação.

Dra. Fernanda Rodrigues
Hospital Pediátrico de Coimbra