Hepatite B

A hepatite B é uma das doenças mais frequentes do mundo, estimando-se que mais de um terço da população mundial já foi infectada. Aproximadamente 350 milhões de pessoas têm infecção crónica e constituem um reservatório e potencial fonte de infecção. Estes portadores crónicos podem desenvolver doenças hepáticas graves, como a cirrose e o cancro no fígado.

O vírus da hepatite B (VHB) é 10 vezes mais infeccioso que o vírus da hepatite C (VHC) e 100 vezes mais que o vírus da imunodeficiência humana (VIH) e pode sobreviver fora do organismo por mais de uma semana. O VHB pode ser encontrado no sangue e nalgumas secreções corporais (líquido seminal, secreções vaginais, saliva) o que permite que a aquisição da infecção se faça por via interpessoal. Existe também a possibilidade de transmissão vertical mãe-filho, que ocorre sobretudo durante o parto.

Esta forma de contágio é especialmente grave, porque em 90% dos lactentes que adquirem a infecção por esta via, a doença evolui para a cronicidade. A vacinação anti-VHB é a maneira mais eficaz de prevenir a infecção e as suas consequências, e tem uma eficácia de cerca de 95%.

Em Portugal, esta vacina passou a integrar o Programa Nacional de Vacinação para todos os adolescentes a partir de 1995, e desde o ano 2000 passou a ser administrada a todos os recém-nascidos (RN). A vacina é ainda administrada gratuitamente a todos os grupos de risco.

A hepatite B é uma doença prevenível, mas a sua erradicação torna-se difícil pela existência de grande número de portadores crónicos, sendo necessário, para além da vacinação universal aos RN, continuar a fazer testes de rastreio às grávidas e grupos de risco e dar informação e esclarecimentos à população.

Dr. José Cabral
Gastrenterologia Pediátrica
Hospital de Dona Estefânia, Centro Hospitalar Lisboa Central