Gripe A

Desde que, em 17 de Abril de 2009 foi identificada, nos EUA, uma nova estirpe do vírus da gripe, designada como A/Califórnia/7/2009/H1N1, este vírus conheceu uma disseminação mundial, dando origem à pandemia de gripe A que acompanhou o nosso quotidiano durante os meses subsequentes.

O que significa a existência de uma nova estirpe de vírus da gripe? Antes de mais, significa que as pessoas não possuem imunidade em relação a esse vírus e, por isso, estão mais susceptíveis a contrair a doença e, portanto, com maior risco de virem, igualmente, a contrair alguma ou algumas das suas complicações.

E o que houve de diferente desta pandemia de gripe, em relação a pandemias anteriores

Embora com sintomas idênticos aos da gripe sazonal, os grupos etários mais atingidos foram diferentes, com predomínio nos indivíduos mais jovens e o período do ano em que surgiu inicialmente (Verão) também não foi o usual.

Por outro lado, esta pandemia também foi diferente noutros aspectos:

  • Pela primeira vez, na história da humanidade, no decurso de uma pandemia de gripe o conhecimento que se foi adquirindo sobre a doença circulou praticamente em tempo real, tal como se verificou a adopção generalizada de medidas de higiene e de controlo da doença.

Finalmente, houve dois elementos cruciais que poderão ter alterado o curso da pandemia:

  • Pela primeira vez, existiram fármacos antivirais eficazes no tratamento da estirpe pandémica e,
  • Conseguiu-se produzir e disponibilizar à população uma vacina eficaz e segura, elemento essencial no controlo da doença. E, deste modo, fruto das características do vírus, entretanto identificadas, e também das atitudes assumidas pelos vários países, esta pandemia não se revestiu do carácter de gravidade que os dados iniciais faziam temer. Mesmo assim, em Portugal, ainda se verificaram 122 óbitos e estimam-se em cerca de 2.400 os internamentos hospitalares. Daí a necessidade de se prosseguir a vacinação da população, de acordo com os critérios definidos pelas autoridades nacionais de saúde.

Dr. António Diniz
Pneumologista
Coordenador da Unidade de Imunodeficiência do HPV – CHLN
Consultor da DGS