Gastroenterite pediátrica rotavírus

A gastroenterite a rotavírus é causada por um tipo de vírus designado Rotavírus que pertence a uma família de vírus com a forma de roda. É a principal causa de gastroenterite aguda em crianças pequenas, em todo o mundo. Na Europa, embora presente ao longo de todo o ano, a epidemia a rotavírus tem o seu pico nos meses de Inverno.

Não existem factores de risco para a infecção a rotavírus. Todas as crianças estão em risco de desenvolver um caso potencialmente grave de gastroenterite a rotavírus. Aos 5 anos de idade, praticamente todas as crianças já tiveram uma infecção e dois terços destas, mais do que uma vez. O pico da incidência é entre os 6 meses e os 2 anos e a 1ª infecção é a mais grave. Cerca de 50% dos pais de crianças com gastroenterite pediátrica a rotavírus também são infectados, mas apenas 1/3 virá a desenvolver sintomas.

O curso da doença é totalmente imprevisível e por vezes é complicado o seu diagnóstico com base apenas nos sintomas que as crianças apresentam (comuns a outras gastroenterites). Quando sintomática, cursa com febre baixa, dor abdominal, episódios repetidos de vómitos e diarreia aquosa com várias dejecções ao longo do dia, podendo durar vários dias. A diarreia e os vómitos frequentes podem originar complicações, sendo a mais perigosa a desidratação por perda de líquidos.

A gastroenterite a rotavírus pode ser adquirida na comunidade ou no hospital (consulta ou internamento por outra causa) e transmite-se muito facilmente entre crianças, especialmente quando existe contacto próximo entre elas, como acontece nas creches. É um vírus muito contagioso. A forma predominante de transmissão é a via fecal-oral. A relativa resistência do rotavírus à maioria dos desinfectantes e produtos de limpeza e a sua capacidade para sobreviver durante horas em superfícies, brinquedos e mãos, leva a que a transmissão seja ainda mais difícil de controlar e que possa ocorrer em locais com boas condições higieno-sanitárias. Por outro lado, são necessárias apenas algumas partículas virais para causar infecção a rotavírus, e as crianças infectadas chegam a eliminar biliões de partículas de rotavírus nas fezes, antes mesmo de terem sintomas, continuando a eliminar após a melhoria do quadro clínico.

Não existe tratamento específico, o tratamento é sintomático, sendo na maioria dos casos administradas soluções de re-hidratação oral, com o objectivo de restabelecer a perda de líquidos e sais e re-equilibrar as perdas nutricionais. Nos casos mais graves poderá ser necessário o internamento para a administração de soros endovenosos. Existem actualmente vacinas orais que são eficazes na protecção contra a infecção a rotavírus.

Dra. Filipa Prata
Unidade de Infecciologia Pediátrica, Hospital de Santa Maria, Lisboa