Encefalite japonesa

A encefalite japonesa é uma doença provocada por um vírus semelhante aos vírus da febre amarela e do dengue. A doença é transmitida ao homem, pela picada de um mosquito, que pica no exterior das habitações, desde o anoitecer ao amanhecer, sendo a picada dolorosa. O mosquito usa como locais de postura as zonas alagadas dos campos de cultivo de arroz, zonas pantanosas e pequenas colecções de águas paradas.

A encefalite japonesa encontra-se confinada ao continente asiático. Nas regiões temperadas, o risco é maior nas zonas rurais, durante a época das chuvas e no início da estação seca. Na Indonésia e, provavelmente, em Timor Loro´sae, a transmissão ocorre todo o ano, sendo o risco de doença mais elevado de Novembro a Março.

Nos locais onde a doença é endémica é, sobretudo, uma doença pediátrica. Quando contraída no decurso de uma viagem, qualquer grupo etário pode ser afectado.

As manifestações clínicas variam de um simples episódio febril a meningite asséptica ou encefalite grave, com morte. No entanto, a maioria das infecções é inaparente, sendo a relação entre os casos sintomáticos e os assintomáticos cerca de 1:50. O período de incubação é de 5 a 15 dias.

O quadro tem um início súbito com febre, cefaleias e vómitos. Alterações da consciência e/ou neurológicas, perturbações do movimento e convulsões podem aparecer nos dias seguintes. Quando sintomática, a taxa de mortalidade é de 10 a 70%, com muitos dos sobreviventes a apresentarem sequelas neurológicas.

O risco para os viajantes é extremamente baixo (1 para 1 milhão) dependendo da estação do ano, do destino, da duração e do tipo de actividades durante a viagem.

Não existe tratamento específico, apenas sintomático. A prevenção é fundamental e consiste na evicção da picada do mosquito e na administração da vacina. A vacina está recomendada a viajantes com estadias prolongadas em área endémica, sobretudo se incluir a época de maior transmissão ou estadias de curta duração se o destino inclui áreas rurais, durante a monção, em que se preveja um grande número de actividades fora de casa.

Dra. Filipa Prata
Unidade de Infecciologia Pediátrica, Hospital de Santa Maria, Lisboa